Quando o pai do Edson se foi, ele fez uma promessa: a mãe nunca ia precisar se preocupar com nada. Aos 27 anos, era ele quem trabalhava, pagava as contas e segurava a casa.
Faz um tempo, começou com algo no pescoço. Depois veio a dificuldade pra engolir. Os resultados mostraram um tumor na garganta.
Hoje a casa virou o contrário do que ele prometeu. É a mãe que separa os cuidados, que leva ele para o tratamento, que acorda de madrugada quando aperta.
Tudo mudou rápido. Ele perdeu muito peso, o cabelo caiu com o tratamento, e tem dia que engolir água já é trabalho.
Na rua ficou difícil também. Tem gente que olha pra ele e se afasta no ônibus. Uma mulher perguntou se era contagioso e mudou de banco com o filho.
O doutor já foi direto: isso precisa sair, e a operação tem que acontecer nos próximos meses, antes que avance mais.
O valor é muito maior do que mãe e filho conseguem juntar.
A mãe faz conta na mesa da cozinha e não chega nem perto. Ela já enterrou o marido. O Edson não aceita que ela enterre um filho também.
Quero contribuirSozinhos, eles não alcançam esse valor. E o prazo não espera.
O Edson sustentou essa casa a vida inteira sem pedir nada pra ninguém. Tem dia que pensa em desistir e continua, porque a mãe só tem ele.
Ele ainda quer voltar a ser quem cuida. Essa volta pode começar aqui: